terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Divulgação: Novidades Bizâncio

Uma história de resistência e de determinação sobre a irresistível e duradoura natureza do amor e a fragilidade da vida.
Frank Gold, um refugiado de guerra vindo da Hungria para a Austrália, é apanhado pelo surto de poliomielite que atingiu aquele país em 1954.
Como tantas outras crianças é acolhido na casa de recuperação «Golden Age», onde reaprendem a andar. É aí que encontra Sullivan, que lhe revela a poesia, e mais tarde Elsa.
Resiste ao abandono e ao isolamento daquele lugar através da poesia e do laço de paixão que o liga a Elsa.
Nesta casa parada no tempo, as crianças estão sujeitas a regras próprias que fazem de «Golden Age» um outro país, um terceiro país, onde todos descobrem que estão sós, numa luta de recuperação muito própria.

Porque é que os lobos uivam à lua?
É verdade que as hienas riem? 
Porque é que os hipopótamos gostam tanto de lama? 

Na mesma linha editorial do «O Grande livro dos Insetos», este álbum, a cores e de grande formato, incentiva as crianças à leitura, na procura de respostas a estas e muitas outras perguntas incríveis.
Aqui, iremos encontrar toda a espécie de animais selvagens do mundo, barulhentos, peludos, ferozes e maravilhosos, como se alimentam, caçam, sobrevivem e se reproduzem, contribuindo para um melhor conhecimento e uma melhor compreensão do mundo animal. 

Divulgação: Novidade Topseller

Para Toni, Evie é a coisa mais importante do mundo.
Quando perdeu o marido na guerra, Toni tomou medidas para começar tudo de novo e dar à filha, Evie, uma vida melhor. Mudou-se para uma cidade diferente, arranjou um novo emprego e mudou a filha para outra escola.
Mas há coisas más que não param de acontecer.
O recomeço está a ser difícil. Evie não gosta da escola, os vizinhos têm antecedentes criminais e a nova chefe é terrível. Para conseguir lidar com tudo isto, Toni começa a abusar de sedativos.
Quando fecha os olhos, as horas desaparecem e o descanso torna-se possível. É quando algo terrível acontece.
E agora Evie desapareceu.
Ninguém sabe onde Evie está e não há pistas, nem suspeitos. Toda a gente culpa Toni, que rapidamente é vista pela opinião pública como uma mãe irresponsável e toxicodependente. Mas ela tem a certeza de não ter feito nada de errado. Ou será que fez?

K.L. Slater é uma nova voz do thriller psicológico que em poucos meses viu o seu romance de estreia, A Salvo Comigo (ed. Topseller, 2017), alcançar o topo das tabelas de vendas internacionais.
Também escreve livros de ficção Young Adult, multipremiados, com o nome Kim Slater.
Mora em Nottingham, no Reino Unido, com o marido e os três filhos.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

The Wicked + The Divine: O Acto de Fausto (Kieron Gillen, Jamie McKelvie, Matt Wilson e Clayton Cowles)

A cada noventa anos, doze deuses tomam forma humana e tornam-se celebridades do seu tempo. Os seus espectáculos inspiram multidões, atraem fãs incondicionais e despertam ódios inexplicáveis. A sua vida traz milagres e inspiração - e termina passados apenas dois anos, para que mais tarde o ciclo volte a repetir-se. Mas os tempos mudaram. Os novos deuses não são apenas fonte de inspiração - há quem questione a veracidade da sua história e quem queira livrar-se deles. E, quando um incidente faz com que os poderes de um dos deuses se revelem, as coisas ganham uma nova dimensão. Pois é preciso preservar o ciclo - seja qual for o preço a pagar.
Não há nada para dizer sobre este livro que não seja elogioso, mas é necessariamente preciso começar pelo conceito. A ideia de deuses que encarnam quase como estrelas pop desperta, desde logo, várias questões pertinentes, desde a efemeridade da glória em contraste com a importância que lhe é dada à forma como a fama desperta igualmente paixões e ódios, passando ainda por questões tão amplas como o equilíbrio entre poder e responsabilidade e a existência ou não de limites quando, em teoria, quase tudo é permitido. Tudo isto está presente neste livro e com um potencial que apenas parece ter começado a revelar-se. O resultado é um fascínio quase imediato e uma vontade irresistível de saber mais.
Claro que é preciso também falar do elemento visual que é, afinal, o que dá vida e cor a um mundo tão cheio de fascínio como de possibilidades. A cor, o traço, a imagem surpreendente que é dada às várias personagens e a expressividade que tanto as caracteriza são, no fundo, a alma de uma história em que o diálogo é apenas um dos vários elementos de um todo muito mais vasto. E a intensidade da acção, o impulso de desvendar os mistérios, até mesmo os laivos de emoção que parecem surgir precisamente nos momentos certos emergem tanto dos actos - e, portanto, da imagem - como das palavras.
Mas voltando às personagens e ao mundo em que se movem. Este é apenas o primeiro volume de uma série bastante mais extensa e, por isso, escusado será dizer que é apenas o início de algo que promete ser muito mais vasto. Mas há já tanto para descobrir, nas personagens e no sistema em que parecem enquadrar-se, que, mais do que qualquer curiosidade insatisfeita, fica simplesmente isto: a sensação de uma primeira etapa muitíssimo bem conseguida e a vontade de descobrir o que se segue o mais rapidamente possível. Claro que também a forma como tudo termina contribui para esta impressão, pois aquele ponto de equilíbrio entre o fim de uma fase e a ideia de que muito mais estará para vir desperta precisamente esse agradável misto de curiosidade e satisfação.
Intenso, fascinante, com um mundo tão complexo como a natureza das personagens que o povoam e uma exploração meticulosa do muito potencial contido em tudo isto, a soma das partes é, pois, um início brilhante, que prende desde a primeira página e não deixa de fascinar até ao fim. Brilhante, surpreendente, belíssimo. Mal posso esperar para ler o próximo. 

Título: The Wicked + The Divine: O Acto de Fausto
Autores: Kieron Gillen, Jamie McKelvie, Matt Wilson e Clayton Cowles
Origem: Recebido para crítica

Divulgação: Novidade Clube do Autor

Falar e escrever bem é muito mais do que fazer-se entender. Expressar-se correctamente é importante para estabelecer uma boa comunicação – oral ou escrita – mas a escolha das palavras certas é na verdade o mais relevante. Na Ponta da Língua é um livro indispensável para quem quer melhorar o discurso escrito ou falado, para quem pretende fazê-lo com mais rigor ou para quem quer aumentar o seu vocabulário.
Mais de 200 palavras, algumas com séculos de História, são aqui apresentadas, devidamente contextualizadas e interligadas. Algumas fazem parte do nosso discurso diário, mas gostaríamos de as dominar melhor; outras já ouvimos, embora não as utilizemos; e outras podemos nem conhecer, embora tornem a nossa linguagem mais precisa e culta.
Fetiche, maquiavélico ou estóico são palavras recorrentes no nosso léxico, mas entendemos bem o seu sentido? Sentimo-nos à vontade para usar termos como alvíssaras, gentrificação ou distopia? E conhecemos vocábulos como heurística, misantropo e gongórico para nos explicarmos de forma mais precisa?
Para todos os leitores que desejam falar e escrever melhor, fazendo-o com mais rigor e sucesso, este livro é fundamental. Com uma selecção enriquecedora de mais de 200 vocábulos com histórias curiosas, significados surpreendentes e utilizações inesperadas, este é o livro que nos ajudará a ter sempre a palavra certa na ponta da língua.

Divulgação: Novidade Topseller

Há algo de irresistível num homem de fato e com uma mente atrevida… mais ainda se for o teu professor.

"Quando Caine West me conheceu, não foi um dos meus melhores momentos — eu tinha bebido demais, confundi-o com outra pessoa e ele devorava-me com os olhos, o suficiente para me tirar do sério.
Só depois, ao encontrá-lo na universidade, descobri: o sensual Caine West, com o seu sorrisinho presunçoso, viria a ser o meu novo professor. Melhor ainda: eu trabalharia para ele como sua assistente. Eu, Rachel, que o tratara como um imbecil e atacara os seus enormes… atributos.
Bela maneira de te apresentares ao teu prof!
Não me faltam ideias sobre como poderíamos passar algum tempo sozinhos na sala de aulas!
Tentei desculpar-me, e ele fez questão de me relembrar da hierarquia da sala de aula. Desde então, tento ser profissional, mas o magnetismo dele é inegável. Com rosto (e corpo!) de deus grego e uma voz grave e aveludada, não me admira que as alunas suspirem à sua passagem. Só não contava ficar também eu hipnotizada pelo charme do meu professor… E pela forma como a camisa lhe assenta nos braços bem definidos ou como as suas mãos parecem saber sempre o que fazer…
Bolas, Rachel, no que é que te estás a meter?"

Vi Keeland é autora bestseller do New York Times, com mais de um milhão de livros vendidos. Os seus livros estão actualmente traduzidos em 8 idiomas e apareceram em mais de 60 tops de vendas.
Mora em Nova Iorque com o seu marido, com quem é feliz desde os oito anos de idade, e os seus três filhos.
Saiba mais sobre a autora em: www.vikeeland.com

domingo, 18 de fevereiro de 2018

Traição (Aleatha Romig)

Alexandria Collins cresceu numa prisão dourada, mas, assim que teve oportunidade, partiu e foi atrás dos seus sonhos. Agora, acabada de se formar em Stanford e tendo pela frente mais três anos em Columbia, após os quais espera tornar-se uma advogada de sucesso, o passado que tanto se esforçou por deixar para trás ameaça dominá-la. A mãe e o padrasto querem-na de volta a casa e têm grandes planos para ela. Mas Alex não está disposta a renunciar a tudo tão facilmente. E, para lhe alimentar as forças, tem as memórias de uma semana passada sem apelidos e sem passado, na companhia de um elegante desconhecido que lhe arrebatou o coração. Nox - é por esse nome que o conhece - invadiu a sua vida e gravou-se-lhe na memória de uma forma indelével. Mas também ele é um homem de grandes voos e de regras estritas. E o que nasceu naquela semana não pode acabar...
Primeiro volume de uma série mais extensa - e, a julgar por este início, de grande potencial - este é um livro que cativa, em primeiro lugar, por ser bastante mais do que um romance erótico. Aliás, neste primeiro volume, o erotismo não é sequer o ponto dominante. Sim, há uma atracção que se transforma em algo mais, há momentos de grande sensualidade e há um equilíbrio de atracção e controlo entre os protagonistas. Mas estes elementos são apenas uma parte da história e a forma como são descritos é até, por vezes, relativamente breve. Há toda uma história familiar para Alex, todo um conjunto de intrigas tecidas à sua volta e um novo mundo à espera de ser descoberto, cujos contornos apenas começam a vislumbrar-se na fase final.
Este é, aliás, talvez o único ponto que deixa sentimentos ambíguos. É que tudo termina num grande ponto de viragem, deixando muitas perguntas sem resposta e quase tudo em aberto para o que se seguirá. Fica, por isso, inevitavelmente, uma certa curiosidade insatisfeita, mas principalmente a vontade de ler o volume seguinte o mais rapidamente possível. Até porque, além do muito que fica por dizer, há também muito de intrigante e de cativante na parte da história que foi já contada. Nox, com as suas regras estritas e o contraste entre afecto e autoritarismo. Alex, querendo ser tudo o que a sua prisão dourada lhe negou. Os Montague, com os seus esquemas e intrigas para manter as aparências e perpetuar o nome. E, claro, Cy e Patrick, que apenas começam a revelar-se, mas que demonstram já um estranho e fascinante carisma.
E, sim, é um primeiro volume, e um primeiro volume não muito extenso, mas nada parece ser demasiado apressado. Tudo surge na medida certa, sejam os momentos de erotismo, sejam os ocasionais momentos divertidos ou os episódios mais dramáticos e emocionais. Há espaço para tudo e tudo se desenrola com naturalidade. Talvez seja até esta forma relativamente sucinta, mas certeira, de descrever as coisas a fazer com que os grandes momentos ganhem um tão grande impacto - pois, no que diz respeito à família de Alex, há muitas emoções fortes, tanto de empatia como de aversão, à espera ao longo do caminho.
Pode, pois, ser um livro que deixa muito sem resposta - mas este início de caminho tem já muito de bom para descobrir. Pois, com as suas personagens fortes, mas vulneráveis, a intensidade dos momentos sensuais e o delicado equilíbrio entre intriga, humor e emoção, abre da melhor forma o enredo de uma série que promete ainda muito mais. Um início promissor, portanto, e uma história a acompanhar. 

Título: Traição
Autora: Aleatha Romig
Origem: Recebido para crítica

sábado, 17 de fevereiro de 2018

Verão em Edenbrooke (Julianne Donaldson)

Marianne Daventry está farta da vida em Bath. Por isso, quando a irmã a convida a passar o Verão em Edenbrooke, propriedade da família de uma amiga - e do cavalheiro abastado com quem pretende casar - Marianne fica encantada. Mas o seu ideal de perfeição não tarda a complicar-se, primeiro com o ataque de um salteador durante a viagem, seguido de um misterioso resgate, e depois com a estranha relação de afecto e embaraço que começa a criar-se entre ela e o seu anfitrião. Philip é encantador, ainda que tire um prazer especial das suas tentativas de a fazer corar. Mas, com a lealdade dividida entre o coração e a irmã, e sem saber se aquilo que sente é, afinal, mais que amizade, Marianne começa a suspeitar de que o paraíso por que tanto anseia é, afinal, algo que nunca poderá ter...
Uma das primeiras coisas a surpreender neste livro - e, muito provavelmente, a sua principal força - é a forma como a autora constrói, a partir de um percurso à partida previsível, uma história cativante, divertida e surpreendente. Há algo de encantador na forma como Marianne e Philip se conhecem, na relação que se desenvolve entre eles e nos muitos momentos partilhados, momentos estes que variam entre o embaraçosamente divertido e o profundamente comovente. E tudo isto acontece com uma deliciosa naturalidade que, associada a uma inocência que não é comum neste tipo de romances - o amor nasce mais de um afecto genuíno do que de qualquer atracção, digamos, mais tórrida - , faz com que a leitura se torne absurdamente viciante. 
Claro que, sendo acima de tudo uma história de amor, a personalidade e os sentimentos dos protagonistas desempenham um papel crucial e tanto Philip como Marianne são personagens brilhantes. Philip, com a sua dedicação a ser um verdadeiro cavalheiro, contrasta com Marianne, e a sua necessidade de não ser mais do que apenas o que se espera de uma menina da sociedade. E a forma como as forças de ambos se conjugam ganha um encanto especial, não só por as suas personalidades se conjugarem tão bem, mas também porque o mundo que os rodeia parece mudar um pouco em função deles.
Mas há mais para além do romance. Há as relações familiares de Marianne, o segredo que a avó lhe confiou e que será motivo de alguns momentos intensos e os pequenos mistérios da vida de Philip que Marianne precisa de descobrir. Há as mágoas passadas, a ausência do pai, a difícil lealdade para com a irmã, as dificuldades em enquadrar-se no convencional. E, em tudo isto, há emoção, humor, intensidade, força - sem nunca perder de vista a tal inocência que é tão própria deste romance.
Com um duo brilhante como protagonistas e uma história deliciosamente encantadora, eis, pois, um romance que parte da (aparentemente) mais simples das histórias para a tornar em algo diferente, surpreendente e a que é muito difícil resistir. Leve, divertido e cheio de momentos marcantes, uma história para devorar de uma assentada... e para guardar na memória com carinho. Muito bom.

Título: Verão em Edenbrooke
Autora: Julianne Donaldson
Origem: Recebido para crítica

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

A Magia do Silêncio (Kankyo Tannier)

Vivemos num mundo em que o ruído domina. A correria do quotidiano, as exigências do mundo digital e uma vida onde não parece haver tempo para nada fazem com que pareça difícil encontrar tempo para parar e apreciar o silêncio. E, no entanto, o silêncio pode ser libertador e não é preciso levar uma vida de eremita para desfrutar dos seus benefícios. É isso que a autora deste livro nos propõe: uma vida que leve em atenção a necessidade de silêncio, sem por isso renunciar a nada de verdadeiramente importante. Um silêncio que é muito mais do que simplesmente ficar calado - é uma forma de descoberta interior.
Complementando um olhar diferente sobre o mundo com uma série de exercícios práticos de fácil execução, este é um livro que, mais do que um guia estrito, é uma mistura entre conselhos e experiência pessoal. A autora fala da sua vida enquanto monja, mas sem nunca perder de vista o ritmo apressado do mundo moderno, e a sua perspectiva de alguém que encontrou uma forma de tranquilidade, mas sem se desligar totalmente desse mundo, abre uma perspectiva interessante, pois desfaz a ideia de que, para uma vida de silêncio e de meditação, é preciso deixar o mundo para trás.
É também um livro bastante completo, pese embora a relativa brevidade. Completo no sentido em que analisa as diferentes vertentes em que o silêncio pode ser benéfico, ao mesmo tempo que se debruça sobre as várias facetas da vida quotidiana e de que forma podem ser melhoradas. Claro que há uma grande componente espiritual e, nalguns aspectos, uma perspectiva de vida bastante vincada. Mas o mais interessante neste aspecto é que é possível retirar boas ideias deste livro, independentemente da perspectiva global. Podemos ou não concordar com tudo - e aprender algo de relevante, seja qual for o caso. 
Sendo, naturalmente, o conteúdo o mais importante, também a escrita contribui em muito para cativar para a leitura - e para reter as ideias principais. A autora escreve num registo leve, descontraído, divertido, até, por vezes, realçando os pontos que considera serem mais importantes, mas sem nunca tornar as coisas demasiado sérias. Também isto contribui para o tal desfazer do mito, pois a tendência para imaginar a vida dos monges como de um ascetismo austero e isolado do mundo é aqui amplamente revertida. Além disso, este registo mais leve e com muitas referências a elementos do quotidiano reforça também a impressão de que é possível aproveitar os benefícios do silêncio sem que isso implique um afastamento do mundo tal como ele é.
Interessante, pertinente e muito agradável de ler, trata-se, pois, de um bom ponto de partida para olhar o mundo e os seus ruídos de uma forma diferente. Um livro de onde é possível retirar muito ou pouco, consoante o potencial de ajustamento da vida de quem o lê, mas que tem, sem dúvida alguma, bastante de relevante para ensinar. Vale a pena lê-lo, portanto.

Título: A Magia do Silêncio
Autora: Kankyo Tannier
Origem: Recebido para crítica

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

A Vida de uma Porquinha-da-Índia no Escritório (Paulien Cornelisse)

Cobaia é a porquinha-da-índia do departamento de comunicação da empresa. Mas não é uma mascote. Não, pertence mesmo ao grupo de trabalhadores do escritório e o facto de ser, bem, uma porquinha-da-índia não representa qualquer limitação para ela. Faz café, escreve newsletters, atende telefonemas, pesquisa sintomas de doenças no Google... e vai passando pela vida, a ver as coisas acontecer. Mas há mudanças em curso no escritório. Fala-se em cortes, em novas estratégias, em reuniões e colaborações com a sede. E, como se não bastasse, o ex-namorado de Cobaia quer reestabelecer o contacto. Tudo muda e, às vezes, a Cobaia sente-se perdida. Mas talvez o que a espera no futuro esteja lá para lhe provar que a mudança é boa...
Uma boa palavra para começar a descrever este livro será, talvez, peculiar. Afinal, basta a premissa para ficar com essa impressão. Cobaia, uma porquinha-da-índia, a trabalhar num escritório. Mas há algo que rapidamente se associa a esta particularidade e que acabará por se revelar o aspecto mais cativante deste romance: é que, apesar da inevitável estranheza, tudo parece fluir com uma interessante naturalidade, como se o lugar de Cobaia fosse precisamente aquele, o ponto de partida ideal para as descobertas que terá de fazer.
Ora, esta peculiaridade confere também à história uma certa e intrigante leveza, pois, se analisarmos os temas subjacentes a vida no escritório, há algumas verdades difíceis sob a capa da aparente descontracção. E este contraste serve para fazer pensar, pois a facilidade com que a equipa do escritório fala em cortes, em despedimentos, em esgotamentos e doenças, não deixa de ter um certo efeito de choque, como que lembrando a importância que essas coisas efectivamente têm. Ao fazê-lo sem nunca perder de vista a leveza e o sentido de humor que definem o percurso da Cobaia, a autora consegue falar de coisas sérias a brincar, mas sem lhes retirar a devida relevância. 
É uma história de mudança, ou melhor, uma história da vida enquanto constante mudança. E, assim sendo, faz sentido o movimento de pessoas que partem para que outras possam chegar e também o facto de muito ser deixado em aberto. É inevitável, sim, a sensação de curiosidade insatisfeita, principalmente numa história em que há tantas vidas a mudar. Ainda assim, não deixa de ser adequada a forma como tudo termina, abrindo novos caminhos que são deixados à imaginação do leitor.
Termino, por isso, como comecei: com a impressão de uma leitura peculiar, em que o primeiro impacto é de estranheza, mas que rapidamente cativa pela abordagem descontraída, mas não simplista, a várias questões pertinentes do mundo do trabalho. Cativante e surpreendente, uma boa história e uma muito agradável surpresa. 

Título: A Vida de uma Porquinha-da-Índia no Escritório
Autora: Paulien Cornelisse
Origem: Recebido para crítica

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Pensa Lá Bem (Anna Vivarelli e Pedro Aires Pinto)

É bem possível que a primeira coisa que nos vem à cabeça quando pensamos em filosofia sejam nomes, mais especificamente os nomes dos filósofos. Sócrates, Platão, Aristóteles... Mas, se pensarmos bem no que é realmente a filosofia, se olharmos para lá das mentes que a moldaram e nos centramos nas ideias, então o que surge é infinitamente mais vasto... mas, ao mesmo tempo, bastante mais simples de ponderar. Porque quais são, afinal, as grandes questões da filosofia, senão as da vida, da morte, do conhecimento e do comportamento? E é precisamente sobre estas questões que este pequeno livro se debruça.
Pensado, tal como a capa indica, para mentes jovens, este é um livro que, mais do que uma exposição exaustiva de correntes ou de ideais filosóficos, pretende traçar uma visão geral dos seus aspectos mais importantes. E fá-lo bem: cativante, simples e sucinto, consegue resumir ao essencial um mundo bastante mais vasto, sem com isso se tornar demasiadamente simplista ou redutor. Além disso, ao explorar de forma organizada os vários grandes temas (e personalidades, claro) da filosofia, consegue traçar uma linha mais clara do que é, afinal, também uma evolução do conhecimento ao longo dos tempos.
É também um bom ponto de partida para despertar a vontade de saber mais, pois, se a informação básica está bem desenvolvida neste livro, a verdade é que o mundo da filosofia é muitíssimo mais amplo. Mas, claro, é preciso começar por algum lado e também aqui a organização do livro é importante, pois, ao associar nomes aos temas, consegue, além de apresentar uma visão clara das bases e de alimentar a vontade de aprofundar conhecimentos, apontar a direcção certa aos leitores que tiverem curiosidade em saber mais.
E depois do conteúdo, a forma. É um livro que simplifica conteúdos e também a escrita se ajusta a essa simplicidade, proporcionando uma leitura agradável e de fácil compreensão. Além disso, as ilustrações acrescentam ao texto um também agradável toque de descontracção, reforçando ainda um pouco mais o muito que o conteúdo - e a forma como é exposto - têm de cativante.
Filosofia para jovens mentes - é essa a base essencial deste livro. E, com o seu registo descontraído e a simplicidade de um texto que se concentra no essencial sem perder de vista o muito mais que há para descobrir, a impressão que fica não pode ser senão esta: a de um belo ponto de partida para descobrir o amor pela sabedoria. 

Título: Pensa Lá Bem
Autores: Anna Vivarelli e Pedro Aires Pinto
Origem: Recebido para crítica

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Um Amor Português (José Jorge Letria)

Começa como um segredo, mas rapidamente se transforma em escândalo. D. João de Mascarenhas e D. Maria da Penha de França de Mendonça e Almada, nobres, casados (com outras pessoas) e com um papel de relevo na corte estão a viver um caso amoroso. E, embora estejam muito longe de ser os únicos, são, porém, os únicos que se recusam a esconder-se sob a capa das aparências e do moralismo. É demasiado grande o amor para se esconder. E assim, entre cartas e encontros, a relação vai-se, aos poucos, aprofundando. Mas, com todos os olhos da corte postos neles, só há um fim possível para o romance...
Bastante breve e contado sobre a forma de cartas trocadas principalmente (mas não só) entre os dois amantes, este é um romance que se centra mais no sentimento e no percurso dos protagonistas do que propriamente no contexto em que se movem. E, porém, o contexto está bem presente, ainda que maioritariamente implícito nas escolhas e pensamentos dos protagonistas. É fácil reconhecer o contraste entre a hipocrisia das aparências e o mundo de relações ocultas que se vão tecendo na corte. É também fácil, principalmente através das cartas dos outros intervenientes, reconhecer o contexto político e de Estado que motiva, em parte, a forma como tudo termina. E assim, embora fique uma certa curiosidade em saber mais sobre o mundo em volta - e, na fase final, a forma como tudo se processa - a informação essencial está lá e o resto... bem, o resto é secundário.
Trata-se, acima de tudo, de uma história de amor e é, por isso, essencialmente de amor que vivem as cartas que dão forma a este romance. E é neste aspecto que sobressai a escrita, pois há um muito delicado equilíbrio entre as inevitáveis facetas práticas do que é, efectivamente, um amor proibido e o amor intenso e exaltado múltiplas vezes professado pelas personagens. O resultado é, ao mesmo tempo, um conjunto de cartas de amor que, contrariamente ao que dizia o poeta, não são nada ridículas, e a percepção gradual de um avanço rumo a uma paixão que é simultaneamente mais forte e de consequências cada vez mais inevitáveis. 
Haveria mais a dizer sobre esta história? Provavelmente, ou não fosse o contexto histórico também tão interessante. Mas, ao centrar-se principalmente nos protagonistas e no que têm a dizer um ao outro, este livro consegue criar uma perspectiva diferente: a de um amor em nome do qual quase tudo é possível e os únicos arrependimentos são do que fica por fazer. Faz sentido, pois, que, numa história em que o amor se eleva acima dos compromissos pessoais e das razões de estado, que seja ele a ocupar o lugar de destaque, deixando o resto a outras histórias... ou à imaginação.
Simples, mas equilibrada e com uma voz que facilmente gera empatia entre as personagens e o leitor, eis, pois, uma história de amor que se lê num instante, mas que fica na memória durante muito mais tempo. Breve, mas cativante e com uma intensidade emocional surpreendente, uma boa leitura. 

Título: Um Amor Português
Autor: José Jorge Letria
Origem: Recebido para crítica

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

O Evangelho do Alquimista (Tiago Moita)

Tudo começa quando Samuel, um caixeiro-viajante, dá boleia a um desconhecido no Grande Deserto. Depois, o reconhecimento não tarda a manifestar-se e, com ele, a certeza de que algo de mais vasto está em marcha. A esta primeira aparente coincidência seguem-se outras e não tarda a que a sua viagem solitária rumo a Distopia, a grande cidade do planeta, se transforme numa grande peregrinação. Pois há uma profecia prestes a concretizar-se: está iminente a chegada do Alquimista, aquele que acabará com o mundo tal como ele é nesse momento, e é esse mesmo Alquimista que viaja ao lado de Samuel. Há um destino a cumprir no fim da viagem. E cumprir-se-á, inevitavelmente, tal como foi profetizado. Mas talvez não da forma que aparenta ter...
Bastante extenso e com uma forte componente espiritual, não se pode dizer que este seja um livro de leitura rápida. Há longas descrições, longos momentos explicativos e isso faz com que o ritmo da narrativa se torne um pouco pausado. Além disso, ao oscilar entre diferentes personagens (com a necessária caracterização dos mundos em que se movem) a história torna-se mais ampla e o ambiente mais complexo, o que exige mais tempo para assimilar.
O percurso é longo e, por vezes, as mensagens do Alquimista e as suas explicações implicam uma certa dose de crença espiritual, o que significa que, para os mais cépticos, este elemento dominante poderá despertar sentimentos ambíguos. Ainda assim, há um aspecto particularmente interessante nesta faceta do enredo. É fácil reconhecer os paralelismos entre o percurso do Alquimista e a narrativa dos evangelhos, o que, associado às também muito claras diferenças, cria um contraste interessante: por um lado, não é difícil adivinhar de que forma terminará o caminho do Alquimista. Por outro, fica a sensação de que há algo de universal subjacente às diferenças.
E depois há os picos de intensidade que, embora estejam relacionados com uma narrativa familiar (afinal, os paralelismos são evidentes), conseguem, ainda assim, tornar-se memoráveis e destacar-se numa história em que o pensamento é tão ou mais importante que a acção. Pois a mensagem importa, claro, mas, é quando tudo converge para uma fase final tão inesperadamente intensa, que a longa caminhada rumo à mudança acaba por se gravar na memória.
Ficam alguns sentimentos ambíguos quanto a alguns pontos de vista, mas o balanço acaba por ser claramente positivo. E assim, o que fica desta leitura é a impressão de uma história que exige o seu tempo - e uma certa medida de fé - mas da qual é possível retirar várias ideias positivas ao mesmo tempo que se acompanha uma jornada cativante. Valeu a pena, portanto. 

Título: O Evangelho do Alquimista
Autor: Tiago Moita
Origem: Recebido para crítica

domingo, 11 de fevereiro de 2018

Semente de Bruxa (Margaret Atwood)

Felix encontrou no seu trabalho no teatro a paixão de uma vida - e o refúgio possível depois de uma grande perda. Mas nem todos aqueles em quem confia são dignos dessa confiança e eis que, quando se preparava para levar ao palco a sua grande obra, a encenação de A Tempestade que podia dar nova vida à sua filha perdida, o seu homem de confiança faz com que Felix perca o seu trabalho. Derrotado, resta-lhe uma única opção: retirar-se da vida que tinha e encontrar uma forma de levar a cabo os seus dois únicos objectivos: encenar a sua versão de A Tempestade e vingar-se daqueles que o destruíram. A oportunidade surge-lhe da mais inesperada das formas: levando Shakespeare e as suas grandes lições para dentro dos muros de uma prisão. Mas não estará o próprio Felix também preso à sua vingança?
Sendo este livro a recriação de uma das peças de Shakespeare (como é, aliás, a premissa desta colecção) são apenas expectáveis os paralelismos, os pontos comuns entre peça e romance. Mas Margaret Atwood eleva esta recriação a um outro nível: a história é uma reconstrução da peça, mas contém também a peça no seu interior e também as suas personagens constroem a sua própria recriação. Aqui, Shakespeare é mais que a inspiração: está em toda a parte. E a forma como a autora consegue equilibrar estas múltiplas perspectivas - Felix enquanto novo Próspero, Felix como encenador de uma versão sua da peça, as várias adaptações por parte dos reclusos - é algo de simplesmente brilhante.
E, sendo embora uma recriação de A Tempestade, não é preciso ter lido a peça para entender tudo. Primeiro, porque o livro inclui um breve mas esclarecedor resumo do enredo original. Mas principalmente porque, através dos planos de Felix e dos preparativos para a encenação da peça, os pontos comuns tornam-se fáceis de assimilar e tudo flui como uma estranha e deliciosa simbiose. Não haveria vida neste livro sem Shakespeare - mas há mais vida para além dele.
Mas deixemos, por um instante, a sombra do bardo. Por mais dominante que seja a sua presença, esta não é uma história sobre Shakespeare. Nem sobre Próspero, aliás. É a história de Felix, da sua Miranda, de uma vida destruída e movida à vingança, mas também com um imenso potencial de redenção. E a forma como a autora conta esta história, realçando ao mesmo tempo forças e vulnerabilidades, num ritmo intenso, mas que nunca perde de vista os estados de espírito mais sombrios e melancólicos, é algo de fascinante. É incrivelmente fácil entrar nesta história, criar laços com as personagens, torcer para que tudo corra como deve correr e... e, bem, chegar ao fim com a sensação de que tudo acabou precisamente como devia.
E é, talvez, isto o melhor que se pode dizer deste livro: tudo é exactamente como deve ser. Desde a escrita às personagens e ao desenvolvimento do enredo, passando pela forma como as várias facetas da história se interligam num misterioso e delicado equilíbrio e pelas pequenas e discretas presenças que, afinal de contas, tudo mudam, tudo tem o seu lugar e preenche-o com toda a mestria. E é isso, acima de tudo, que molda beleza e fascínio e magia neste livro. E assim o torna perfeito... naturalmente. 

Título: Semente de Bruxa
Autora: Margaret Atwood
Origem: Recebido para crítica

sábado, 10 de fevereiro de 2018

O Sangue dos Elfos (Andrzej Sapkowski)

Vivem-se tempos conturbados. A guerra com os nilfgaardianos despertou uma nova inimizade entre os humanos e as restantes raças e, mais uma vez, parece inevitável um conflito devastador. Movem-se, pois, as diferentes forças e não apenas em combate. Espiões, feiticeiros, os reis e as suas cortes - todos parecem estar dispostos a tudo para defender os seus interesses. E, no meio de tudo, há um mistério: o da Leoazinha de Cintra, que poucos sabem ao certo se vive ou não, mas que está predestinada a um destino maior. Por isso todos querem saber onde está e fazer dela o que mais lhes convier. Só Geralt - e os poucos aliados que lhe restam - poderá proteger essa criança. Mas a que preço?
Deixada para trás a estrutura de várias histórias interligadas, a primeira impressão a destacar-se deste terceiro livro da série é, acima de tudo, a de um estranho contraste. Por um lado, há uma linha mais definida que forma o enredo central e que parece ser a base de todo o livro. Mas, apesar disso, a história está longe de ser linear, acompanhando diferentes personagens e diferentes momentos da história ao mesmo que mantém outros aspectos num persistente mistério. A impressão é como que a de acompanhar as primeiras jogadas de um jogo de xadrez, em que os vários elementos entram em jogo e fazem os seus devidos movimentos - mas em que há muito nas motivações e na estratégia futura que é ainda deixado por revelar.
Ora, isto tem um efeito ambíguo, já que fica a sensação de que este terceiro livro funciona, em grande medida, como um volume de transição. Há avanços, é certo, e avanços muito interessantes, mas, no fim, o que fica na memória são mais as perguntas, os porquês para o que aconteceu e o grande mistério do que poderá vir a seguir. Fica, pois, alguma curiosidade insatisfeita, bem como a vontade de descobrir o que estará para acontecer nos próximos livros.
Isto retira envolvência ao enredo? Não, não propriamente, até porque as coisas que, de facto, acontecem têm um grande impacto. É fácil ficar-se encantado pela estranhamente cativante personalidade de Ciri, pelo seu percurso de aprendizagem e pelos seus estranhos protectores. É fascinante sentir a rede de intrigas apertar-se e, ao mesmo tempo, ver de que forma os protagonistas lidam com isso. E, acima de tudo, é fascinante a forma como Geralt, Yennefer e Jaskier revelam, a cada momento, a verdadeira complexidade das suas naturezas, mostrando-se muito acima das suas respectivas lendas.
No fim, fica a tal mistura de sentimentos face às muitas perguntas que ficaram sem resposta e à vontade de descobrir essas respostas. Mas, principalmente, fica a impressão de um muito intrigante e envolvente avanço numa narrativa que tem ainda muito para revelar. Uma boa leitura, portanto, e uma série para continuar a seguir. 

Autor: Andrzej Sapkowski
Origem: Recebido para crítica

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Vencedora do passatempo Louca

E chegámos ao fim de mais um passatempo. Resta-me, pois, como sempre, agradecer a todos os que participaram e anunciar quem vai receber um exemplar do livro Louca.

E o vencedor é...

48. Susana Henriques (Lisboa)

Parabéns e boa leitura!

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Há um Monstro no teu Livro (Tom Fletcher)

Há um monstro neste livro! E é preciso expulsá-lo... ou será que não? Seja como for, o monstro está bem onde está e não quer sair, a não ser que insistam com ele. Mas e depois? Para onde vai o monstro? E o que fazer a seguir? A resposta está nestas muito breves e encantadoras páginas.
Não são precisas muitas palavras para descrever este livro. Na verdade, basta uma: adorável. E adorável, em primeiro lugar, pelo aspecto, já que o habitante principal deste livro tem um ar muito pouco... monstruoso, mas também pela forma como esta pequena história é construída. O monstro é giro, diga-se de passagem. Mas, mais do que isso, as aventuras necessárias para... bem, lidar com a presença dele no livro... também têm todo o potencial para resultar em algo de encantador.
Porquê? Ah, claro. Porque o livro é todo ele uma curiosa actividade. Aliás, se, como eu, já deixaram a infância para trás há uns tempos, imaginem-se a ler esta história com uma criança (ou a lê-la em criança) e a fazer o que o livro sugere. Voltas, sacudidelas, gestos, palavras... imaginem-se a interagir com o livro. Porque é isto que o torna diferente e é esta diferença que é encantadora: basta um voltar de páginas e meia dúzia de indicações e o livro torna-se uma base de interacção com o seu... mais uma vez... curioso habitante. 
E há ainda um outro aspecto. Bem, o monstro é um monstro, não é? E ter medo dos monstros é natural na infância. Mas conhecer e interagir com a pequena e fofa criatura que vive nas páginas deste livro acaba também por contribuir para esbater um pouco esses receios. Afinal, e embora digam que os monstros não existem, acreditar nisso pode não ser tão fácil como parece. Mas descobrir um monstro inofensivo e divertido... bem, isso já é mais interessante. 
No fim, fica-se com um sorriso nos lábios, seja ao recordar a infância ou a imaginar esta história contada a um pequeno leitor. E a impressão de um livro que é tão encantador pelo conteúdo como pela forma peculiar que lhe dá vida. Muito bom. 

Título: Há Um Monstro no teu Livro
Autor: Tom Fletcher
Origem: Recebido para crítica

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

O Silêncio das Filhas (Jennie Melamed)

Depois da calamidade que deixou mergulhadas num fogo eterno as terras devastadas, foram poucos os que sobreviveram - e esses criaram na ilha uma comunidade fechada e com leis muito estritas. Pelo menos, foi nisto que as raparigas da ilha foram ensinadas a acreditar. Mas há algo que não bate certo naquele mundo em que os pais têm todos os poderes, as mulheres devem apenas obediência e fertilidades e as filhas têm de dar aos pais tudo o que eles lhes pedem. E, quando algumas raparigas começam a questionar, há verdades terríveis muito perto da superfície... e o que parecia quase uma lei divina revela-se uma estranha prisão.
Não é propriamente fácil falar por este livro, mas, tendo de escolher um ponto de partida, direi que é um livro de contrastes vincados. E isto aplica-se não só à história em si, mas à própria experiência de leitura. Por um lado, há uma beleza quase poética nas palavras, mas o que estas descrevem é profundamente perturbador. Há um estranho fascínio que leva a querer quase que desesperadamente uma solução - e, no entanto, esta não é uma história de revoluções. Há verdades tão duras que facilmente tornam a história angustiante, mas, ainda assim, é quase impossível parar de ler. E, no fim, o que fica é esta mistura de fascínio por uma história que não dá nem perto de todas as respostas, mas em que tudo parece ser quase perfeito.
Também não se pode dizer que seja apenas um livro que desperta questões relevantes - todo ele é um ninho de questões relevantes. A manipulação através da fé, a mentira que leva a comportamentos inadmissíveis, o poder ilimitado que leva a decisões incontestadas, a sociedade isolada que permite que alguns tudo possam e outros não possam nada. Tudo isto está presente e de uma forma devastadora. E, por outro lado, surge mais uma vez o contraste: as protagonistas desta história são maioritariamente crianças e, pese embora a crueza do mundo em que vivem, têm ainda assim uma inocência que apenas faz com que sobressaia mais a crueldade do mundo que as rodeia.
Mas volto atrás: não é uma história de revoluções nem um mecanismo de viragem que fará com que tudo mude. Muda, talvez, no máximo a consciência de alguns. E, claro, isto deixa sentimentos ambíguos, até porque ficam muitas perguntas em aberto. Mas a verdade é que faz sentido que assim seja, pois é tal o rumo dos acontecimentos (e tal a cegueira de alguns dos envolvidos) que uma mudança global teria de implicar uma história diferente. Esta é uma história de crescimento - cruel, mas de crescimento, ainda assim - e, sendo esse o percurso inevitável das protagonistas, faz apenas sentido que o resto acabe por passar para segundo plano.
Não, não é fácil falar sobre este livro, até porque a marca que deixa é, acima de tudo, emocional. Mas basta provavelmente dizer isto: pode rasgar-nos o coração pelo caminho, causar angústia, revolta, perturbação. Mas, no fim, fica-se melhor por o ter lido. E isso faz com que tudo valha a pena. Recomendo. 

Título: O Silêncio das Filhas
Autora: Jennie Melamed
Origem: Recebido para crítica

Divulgação: Novidades Topseller

Quando Billy Wilkinson, um adolescente de 15 anos, desaparece a meio da noite, Claire, a sua mãe, culpa-se pelo que aconteceu. Mas não é a única a fazê-lo. Todos os membros da família se sentem culpados.
O facto é que os Wilkinsons estão tão acostumados a guardar segredos entre si, que a verdade só começa a vir ao de cima seis meses depois. E uma coisa é certa: alguém sabe o que aconteceu a Billy.
Claire acredita desesperadamente que o filho ainda está vivo e convence-se de que a família e os amigos não têm qualquer relação com o seu desaparecimento.
E o instinto de uma mãe nunca falha… Ou falhará?

C. L. Taylor é autora bestseller do Sunday Times, especializada em thrillers psicológicos. Os seus livros venderam para cima de um milhão de exemplares, tendo já sido traduzidos em mais de 20 línguas.
Nasceu em Worcester, no Reino Unido, e formou-se em Psicologia pela Universidade de Northumbria.
Dedica-se, desde 2014, à escrita a tempo inteiro. Actualmente vive em Bristol, com o companheiro e o filho.

Lara Jean atravessa um dos momentos mais emocionantes da sua vida. O namoro com Peter está cada vez mais intenso, o baile de finalistas está à porta, o pai vai voltar a casar e a sua irmã mais velha, Margot, vem passar o verão a casa.
Ainda assim, apesar de tanta coisa estar a acontecer ao mesmo tempo, chegou o momento de escolher uma universidade… e Lara só pensa em frequentar a melhor!
Só que entre organizar o casamento do pai e os preparativos para o baile de finalistas, o tempo escasseia e Lara sente-se algo perdida. Deverá deixar a família e o seu grande amor para trás ou apostar tudo no seu futuro?
Quando o coração e a razão nos indicam direcções diferentes, qual dos dois devemos seguir?

Jenny Han nasceu e cresceu na costa leste dos Estados Unidos da América. Estudou na Universidade da Carolina do Norte e fez um mestrado em Escrita para Crianças em Nova Iorque, onde mora actualmente.
Se pudesse escolher um emprego, Jenny Han gostaria de ser ajudante do Pai Natal, provadora de gelados ou a melhor amiga da Oprah, entre outras coisas perfeitamente vulgares. Tem uma predilecção por meias até ao joelho e come qualquer sobremesa, desde que seja de maracujá.
Com seguidores em todo o mundo, Jenny Han é uma autora bestseller, e o seu livro A Todos os Rapazes que Amei (ed. Topseller, 2014) está a ser adaptado ao cinema.

domingo, 4 de fevereiro de 2018

O Bibliotecário de Paris (Mark Pryor)

Meia Paris foi de férias e, por isso, o trabalho na embaixada americana não é propriamente pesado. Mas, quando o director da Biblioteca Americana - e seu amigo pessoal - é encontrado morto de uma forma estranha, a paz de Hugo Marston rapidamente se esgota. De início, tudo parece apontar para causas naturais - mas Hugo tem um pressentimento e, normalmente, os seus instintos não o enganam. E quando a morte de Paul se revela como apenas o primeiro de vários acontecimentos inexplicáveis, Hugo sabe que tem de seguir o seu pressentimento, mesmo que nada pareça fazer sentido e a única ligação aparente pareça ser o passado misterioso de uma velha senhora.
Com um protagonista ligeiramente sherlockiano, mas um cenário muito actual, uma das primeiras coisas a surpreender neste livro é a forma como concilia a muito agradável leveza do tom com um enredo em que há espaço para um pouco de tudo, desde os momentos divertidos aos picos de intensidade e ao adensar de um mistério onde tudo parece ser demasiado estranho - mas tudo flui de uma forma estranhamente natural. E, assim sendo, a primeira e a mais duradoura impressão é a de uma história em que é absurdamente fácil entrar... mas de onde já não é tão fácil sair, pelo menos não antes de desvendados todos os segredos.
E, por falar em segredos... Segredos é o que não falta neste livro, desde a misteriosa morte do bibliotecário à conveniente visita de uma amiga de Hugo, passando pelo mistério de uma actriz que pode ter sido muito mais do que isto e por laivos de um passado que parece insistir em voltar. É, aliás, daqui que surgem os únicos sentimentos ambíguos desta leitura: é que há mesmo muitos mistérios, mas nem tudo tem resposta, daí que fique uma certa curiosidade insatisfeita. Por outro lado, também é certo que as aventuras de Hugo Marston não se ficam por aqui, o que acaba por acrescentar à tal curiosidade insatisfeita uma muito... irresistível... vontade de ler mais histórias sobre este cativante protagonista.
O que me leva à alma da história, naturalmente: Hugo Marston. Intrigante, descontraído, com um certo charme e um raciocínio dedutivo capaz de rivalizar com o de Sherlock Holmes, é fácil sentir um certo fascínio por este intrigante protagonista. Mas o mais interessante é que há tanto de fascinante no que Hugo revela como no que deixa por mostrar. Há uma aura de mistério à sua volta que cria um muito agradável contraste com a atitude aparentemente descontraída sob a qual parecem esconder-se sentimentos bastante mais profundos. Também daqui fica a tal vontade de saber mais - até porque, pese embora a leveza, é quando o lado profundo de Hugo vem à superfície que o seu carisma mais se manifesta.
No fim, fica a sensação de se ter partido numa grande aventura - e de a ter percorrido com a melhor das companhias. Ficam perguntas sem resposta? Naturellement. Mas, entre a leveza, o humor, o fascínio, o mistério e a acção, são tantas as coisas que prendem nesta história que não pode ficar senão este desejo: o de encontrar algumas respostas (e provavelmente mais perguntas) num novo livro desta muito intrigante série. 

Título: O Bibliotecário de Paris
Autor: Mark Pryor
Origem: Recebido para crítica

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

O Elmer e o Wilbur (David McKee)

O Elmer é um elefante diferente, mas não é o único. O seu primo Wilbur vem de visita e, com os seus dons de ventríloquo e a sua vontade de pregar partidas, tudo se alinha para bons momentos de diversão. Mas onde está o Wilbur? O Elmer e os elefantes vão à procura dele. Mas, quando a voz vem de um lado e o Wilbur está escondido num lugar completamente diferente, não é assim tão fácil descobri-lo...
Na mesma senda do livro anterior e com as mesmas características essenciais, a verdade é que não há nada de muito novo a dizer sobre este livro que não tenha já sido dito sobre o anterior. Mantém-se a mesma inocência, a mesma simplicidade, a mesma abundância de cor e a mesma forma clara e divertida de realçar o valor da diferença e as possibilidades ilimitadas da aceitação incondicional.
E o que há de novo começa precisamente por aqui: Wilbur também é diferente e entra na vida dos outros elefantes exactamente com a mesma naturalidade. Mais uma vez, a diferença não é uma barreira para a alegria e para a cordialidade e isso basta para dar a esta breve história um tom bastante relevante.
Mas o mais marcante de tudo é, mais uma vez, o mais simples: é que, sendo embora uma história breve e sucinta e nitidamente pensada para crianças, tem um efeito bastante interessante em quem já deixou a infância para trás. Pois, quando tudo é tão natural, torna-se fácil voltar por um bocadinho a tempos mais inocentes e passar uns momentos divertidos a ver o Elmer e os outros elefantes à procura do Wilbur. Lembrar, enfim, o tempo em que o simples bastava - e que, às vezes, pode continuar a bastar.
É um livro para crianças, claro. Mas é também um livro capaz de despertar a nostalgia da infância e de lembrar que o encanto se faz também das pequenas coisas. E isso é mais do que suficiente para fazer com que valha a pena percorrer estas páginas simples, divertidas e muito coloridas. Gostei.

Título: O Elmer e o Wilbur
Autor: David McKee
Origem: Recebido para crítica

Passatempo Louca

O blogue As Leituras do Corvo, em parceria com a Bertrand, tem para oferecer um exemplar do livro Louca, de Chloé Esposito. Para participar basta responder às seguintes questões:

1. Onde decorre a acção deste thriller?
2. Como se chamam as gémeas que protagonizam a história?

Regras do Passatempo:
- O passatempo decorrerá até às 23:59 do dia 8 de Fevereiro. Respostas posteriores não serão consideradas.
- Para participar deverão enviar as respostas para carianmoonlight@gmail.com, juntamente com os dados pessoais (nome e morada);
- O vencedor será sorteado aleatoriamente entre as participações válidas;
- Os vencedores serão contactados por e-mail e o resultado será anunciado no blogue;
- O blogue não se responsabiliza pelo possível extravio do livro nos correios;
- Só se aceitarão participações de residentes em Portugal e apenas uma por participante e residência.