domingo, 12 de agosto de 2012

O Diabo do Rio (Patricia Briggs)

Enquanto caminhante, Mercy está habituada a cruzar-se com fantasmas, mas nunca com o do seu próprio pai. Até agora. Depois de um casamento surpresa e em plena lua-de-mel na companhia de Adam, Mercy vê, pela primeira vez, o fantasma do Coiote - e começa a suspeitar de que algo de errado se passa naquele lugar. E as suspeitas tornam-se certezas quando, depois de notar que o lugar da sua lua-de-mel foi, em certa medida, influenciado pela intervenção dos seres feéricos, Mercy e Adam encontram um homem no rio - alguém que foi atacado por algo que ninguém consegue explicar. Mais uma vez, Mercy encontra-se no centro de um problema. E, mais uma vez, é ela a melhor hipótese de o resolver...
Sendo o intenso ritmo de acção uma das características que mais se evidenciam nesta série, este livro surpreende, desde logo, pela tranquilidade da fase inicial. Claro que há sempre coisas a acontecer - ou não seria esta uma história do mundo de Mercy Thompson. Ainda assim, os eventos dos primeiros capítulos decorrem num ambiente de relativa paz, apesar das circunstâncias em que Stefan se encontra e da curiosa reacção de Mercy aos preparativos de casamento. O resultado é estranhamente cativante, já que este contraste entre a leveza inicial e toda a agitação que se seguirá permite ver um pouco do que seria a relativa normalidade da vida de Mercy, se não houvesse tantos sarilhos sobrenaturais em seu redor. E isto apesar das suas ligações aos diferentes seres, já que nem todos são adversários a combater.
Apesar da presença discreta de algumas personagens já conhecidas, a história distancia-se, em grande medida, dessas figuras familiares. Há algum desenvolvimento, ainda que breve, no que respeita à situação de Stefan, mas a história segue agora um rumo bastante diferente, centrando-se mais em Mercy e nas suas raízes, o que a coloca num ambiente bastante diferente, e em que a única personagem já conhecida que desempenha um papel de relativo protagonismo é Adam. Nada disto prejudica o ritmo da história, até porque pequenas intervenções dessas personagens bastam para que não se lhes sinta a falta, ao mesmo tempo que o desenvolvimento de novos elementos expande ainda um pouco mais este mundo já tão rico em seres e poderes sobrenaturais.
Ainda assim, mais que o mundo e os poderes que o regem, são, ainda e sempre, as personagens, com as suas personalidades carismáticas e naturezas fortes, mas humanas nas suas dúvidas e medos (que se tornam evidentes à medida que as circunstâncias se tornam desesperadas). Personalidades que, tanto nas pequenas alegrias como nos momentos de máxima tensão, parecem conferir força ao ritmo da narrativa com as suas reacções aos diferentes acontecimentos. Desde o sentido de humor que anima os momentos mais leves e quebra a tensão nos momentos mais intensos ao toque de emoção que marca nas situações mais perigosas e potencialmente fatais, a forma como as personagens lidam com os problemas e crescem com eles é, sem dúvida, um dos grandes pontos fortes deste livro.
De leitura compulsiva e com o mesmo intenso ritmo de acção de sempre, O Diabo no Rio acrescenta ainda alguns novos elementos a um mundo já com muito de interessante a descobrir. E fá-lo conjugando as medidas certas de acção, humor e emoção, numa história cativante e surpreendente, como já vem sendo habitual nesta série. Muito bom.

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