terça-feira, 17 de julho de 2012

Sombras da Noite (Andrea Cremer)

Calla é a fêmea alfa de uma alcateia de metamorfos. Há muito que está destinada a unir-se com um macho alfa para criar uma nova alcateia com o objectivo de proteger os locais sagrados. Calla sempre teve conhecimento das regras e sempre aceitou a história da sua raça tal como lha contaram. Por isso, por mais que o seu lado rebelde se sinta desconfortável com a ideia de uma união baseada em interesses superiores, a jovem alfa está disposta a desempenhar o seu papel de boa vontade. Mas tudo muda no instante em que o seu caminho se cruza pela primeira vez com o de Shay Doran. Ter-lhe salvo a vida foi, por si só, uma transgressão, mas, à medida que Shay entra mais e mais na sua vida, Calla dá por si a questionar tudo o que lhe foi contado, não só pela sua própria necessidade de liberdade, mas pela certeza de que Shay também tem um papel no plano dos seus superiores - e esse será tudo menos agradável.
Um dos aspectos mais interessantes deste livro é o sistema de regras que rege o funcionamento dos seres sobrenaturais apresentados. Não sendo, à primeira vista, algo de particularmente complexo - até porque os verdadeiros meandros da hierarquia e as verdades, mentiras e omissões do passado são reveladas de forma gradual - , a interacção entre os diferentes elementos, a hierarquia que define as relações e a adaptação de acontecimentos passados e planos para o futuro segundo os interesses dos Regentes são apenas alguns dos aspectos que tornam este mundo cativante quase desde o início. Junte-se a isto uma natureza que, aos poucos, se revela bastante mais sombria do que aparenta ser, com uma inesperadamente complexa teia de mentiras e intrigas, e o resultado é um sistema cativante, com hábitos e relações bem conseguidas e vários momentos de particular intensidade.
A escrita é directa, sem grandes elaborações e bastante centrada na acção. Os aspectos descritivos surgem na medida em que são necessários para a evolução da narrativa, o que cria algumas surpresas interessantes à medida que a história que se julgava verdadeira acerca dos Defensores e da sua guerra com os Batedores se revela como algo bastante diferente do relatado na versão "oficial". E há ainda uma abordagem discreta, mas bem conseguida, a algumas questões pertinentes, quer na união forçada entre Calla e Ren, quer nos preconceitos vigentes no interior da alcateia, quer ainda no deturpado conceito de protecção da parte de alguns dos mestres.
A união há muito planeada e o surgir de um novo elemento na vida da protagonista acaba por levar ao inevitável triângulo amoroso. E é aqui que mais se nota que as personagens são, apesar de tudo, adolescentes. É no desenvolvimento desta relação que surgem alguns momentos mais forçados, com alguns comportamentos confusos da parte das personagens. Há, também, várias situações bem conseguidas, mas, principalmente na fase inicial, este estranho triângulo amoroso acaba por quebrar ligeiramente o ritmo da acção, dando ao romance uma estranha ênfase em circunstâncias... delicadas.
Envolvente e com um sistema interessante, um conjunto de personagens que, apesar de alguns momentos de estranheza, consegue ser bastante cativante (e, por vezes, divertido) e uma história que cresce em intensidade à medida que os mistérios em torno das figuras sobrenaturais começam a ser desvendados, Sombras da Noite apresenta, em suma, uma história cativante, de leitura agradável e com algumas ideias particularmente interessantes. Fica a curiosidade em saber o que estará para suceder no próximo volume.

2 comentários:

  1. Ola, boa noite!
    Ja me tinha apaixonado pela capa e depois de ler o teu comentário ao livro, ainda mais vontade me deu de o ler.
    Parabéns pelo blog!
    Beijinhos.

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